A capela do Sagrado Coração de Montluçon
A capela do Sagrado Coração, sem estar reservada ao uso exclusivo de uma comunidade, está aberta a numerosas celebrações. Ocupa um lugar particular na vida da Igreja local. O seu arranjo interior, a sua decoração rica e carregada sem ser agressiva respondem à ideia da Bem-aventurada Luísa Teresa que desejava:
«Uma capela consagrada a recordar o amor do Coração de Jesus, a fazê-lo conhecer melhor»
A Bem-aventurada Luísa Teresa interroga-se face à indiferença religiosa, às igrejas vazias e abandonadas, aos sacramentos tão pouco frequentados fora das grandes festas religiosas… Determina-se pela construção de uma capela maior, no coração da cidade, que permaneceria um lugar de oração e de renovação espiritual, um santuário de adoração.
Construção de 1863 a 1864. Ampliação de 1922 a 1924.
No centro da vida de Luísa Teresa está o Sagrado Coração, no centro da capela, está o vitral do Sagrado Coração.
A representação do Sagrado Coração pelo vitral atrai a atenção de todos aqueles que entram na capela. Para «subjugar as almas». A sua mão estendida para o mundo para atrair aqueles que se deixarem seduzir.
A espiritualidade de Luísa Teresa está centrada no mistério da Encarnação. Traduz-se pela expressão de um Deus próximo, amante e que se faz plenamente homem até se oferecer em sacrifício pela salvação de todos os homens. Dois aspetos particulares caracterizam a sua vida: a natividade e a ceia. São os dois momentos-chave, os dois polos da vida de Cristo que assumem um sentido específico para ela.
O fresco representando a Natividade está colocado à esquerda do vitral do Sagrado Coração através de uma representação do presépio. Desejado por Luísa Teresa, foi realizado em 1875 em estilo renascentista. Quando ela própria não é senão uma criança, fica impressionada por este Deus que se faz pequenino.
«A graça tendo disposto a minha pequena alma a receber a luz do Espírito Santo, compreendi este tocante mistério de um Deus menino, pobre e sofredor. Fiquei toda penetrada e comecei a amá-lo, a rezar-lhe e a chamá-lo em meu socorro quando tinha medo»
O fresco da Ceia situado à direita do vitral do Sagrado Coração indica a importância deste acontecimento na vida de Cristo e de todo o cristão. Através desta representação é todo o mistério Eucarístico que é evocado. A Eucaristia alimenta a vida de Luísa Teresa a todo o instante, mesmo que as disposições da Igreja relativas à comunhão a obrigassem a verdadeiros sofrimentos, por causa da sua doença.
«Desde a minha primeira comunhão permaneci sempre sob a ação divina»
A oração da Fundadora, a Bem-aventurada Luísa Teresa pintada na parede da capela em versículos separados e distribuídos foi revelada a Berthe de Curzon, então noviça, a 8 de setembro de 1885. A inscrição da oração começa na abside do coro para terminar no arco da tribuna.
JESU VITA AETERNA IN SINU PATRIS
Esta primeira afirmação faz referência a Jo 1,18: «Ninguém jamais viu a Deus, o Filho Único que está no seio do Pai, esse é que o deu a conhecer». Um ponto importante na espiritualidade da Bem-aventurada Luísa Teresa que desejava a UNIDADE no coração da sua família religiosa, à imagem da unidade e da união perfeita entre o Pai e o Filho. «Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que também eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste» Jo 17,21
VITA ANIMARUM AD SIMILTUDINEM TUAM FACTORUM
A inscrição está situada no arco da tribuna, lado visível da nave. Faz referência ao Génesis onde Deus cria o homem e a mulher à sua semelhança Gn 1,26. Esta frase faz também alusão à vida dada por Deus criador, origem e fonte da vida tal como São João no-la descreve no prólogo.
PER TUUM AMOREM REVELA COR TUUM
Situada no arco abobadado da capela, com uma visibilidade mais clara, esta inscrição foi substituída em 1913 por: «O meu coração é a fonte de toda a pureza». A frase insiste na revelação do amor do Pai aos homens pelo seu Filho.
A inscrição EGO VENI UT VITAM HABEANT ET ABUNDANTIUS HABEANT (Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância) foi pintada no tempo da Bem-aventurada Luísa Teresa no coro da capela, sob o vitral do Sagrado Coração. Este versículo do evangelho segundo São João 10,10 recorda o dom da vida dado pelo lado trespassado de Cristo. É pela sua vida oferecida que recebemos a nossa própria vida (Jo 19,34).
No cimo, na chave da abóbada sobre o arco do coro situa-se uma pomba, símbolo do Espírito Santo. Na vida da fundadora, o Espírito Santo ocupa um lugar importante. Fez dele a sua força em todos os seus encontros e nas suas obras. Não cessa de o invocar na sua vida quotidiana.
«Cada alma vai para onde o Espírito a conduz, o Amor é o seu único guia»
«Abri a boca da vossa alma e respirai o Espírito»
«Falou-me ainda do Espírito Santo, invoco-o sem cessar. Não entra uma pessoa no meu quarto sem que eu invoque o Espírito Santo para obter a graça de dizer tudo o que devo dizer e a maneira como o devo dizer»
1.º Anjo à esquerda: «Phaebe filii mi cor tuum mihi» Meu filho que o teu coração seja meu
2.º Anjo ao centro à esquerda: «Christum pro nobis passum venite adoramus» Cristo sofreu (morreu) por nós, vinde adoremo-lo
3.º Anjo ao centro à direita: «Domine salva nos perimus» Senhor salva-nos, perecemos
4.º Anjo, à direita: «Pater sint unum, sicut et nos unum sumus» Pai que sejam um, como nós, nós somos um




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